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Até 2050, mais da metade dos trabalhadores brasileiros serão substituídos por máquinas

Para Mário Michelato, consultor comercial da Exactus Software, a substituição de vagas de trabalho por máquinas sempre existiu e é uma evolução natural do mercado |  
 
Para Mário Michelato, consultor comercial da Exactus Software, a substituição de vagas de trabalho por máquinas sempre existiu e é uma evolução natural do mercado
Imagem: Gustavo Carneiro
 

Uma chatbot (robô de atendimento) é quem atende os associados da conta digital de uma instituição financeira cooperativa. A Eliza, como foi batizada, tem o papel de tirar as dúvidas dos associados a respeito dos produtos e serviços da cooperativa através do Messenger ou do aplicativo. Por causa dela, o atendimento via chat já reduziu em 46%. Outro robô, o Theo, se encarrega de tirar as dúvidas dos colaboradores da cooperativa. Desenvolvido com tecnologia cognitiva da IBM, o Theo ajuda os colaboradores com informações sobre produtos e serviços e questões técnicas de infraestrutura e sistemas.

Ao todo, ele já atendeu 21 mil chamados, e 30% dos questionamentos feitos a ele já são solucionados sem interferência humana.

 

O caso, real, ilustra o contexto de automação de processos para o qual apontou um estudo realizado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Uma vez que o uso de máquinas em determinadas tarefas proporciona às empresas aumento na eficiência dos processos, redução de custos, e a possibilidade de certas atividades serem executadas 24 horas, sete dias por semana, o Ipea considera elevadas as chances de o mercado de trabalho brasileiro enfrentar em um futuro próximo um quadro preocupante de desemprego.

 

Segundo estimativa realizada pelo Instituto, mais da metade dos trabalhadores brasileiros devem perder seus empregos para máquinas nos próximos 30 anos. A proporção corresponde a 35 milhões de trabalhadores formais, que devem perder seus empregos até 2050.

 

O estudo também identifica quais tipos de vagas correm mais risco de serem substituídas, e quais serão mais demandadas. De acordo com a pesquisa, as áreas com menos risco de serem afetadas pela automação são as que envolvem empreendedorismo, criatividade, análise, tomada de decisões estratégicas, cuidado humano e trabalho em equipe. No curto e médio prazo, as profissões associadas a valores humanos como empatia (assistentes sociais), cuidado (babás) e interpretação subjetiva (críticos de artes, por exemplo) também devem ser mantidas, diz o estudo.

 

Por outro lado, novas profissões associadas a supervisionar, manter e incrementar as tecnologias recém-introduzidas devem surgir a partir da automação. Conforme o estudo, quanto mais complexa a ocupação em termos de nível de preparo, menor é a possibilidade de automação dessa ocupação. Mas, ao mesmo tempo, o estudo observa uma tendência de crescimento nas profissões com maior risco de automação ao longo do tempo, o que poderá levar a elevado nível de desempregos nos próximos anos caso os profissionais e o Estado não se prepararem para esse cenário.

 

“O desafio está em buscar alternativas, garantir treinamento aos trabalhadores, em especial os menos qualificados, para que atuem em atividades com menor tendência de automação”, avaliou o coordenador de estudos e pesquisas em trabalho e desenvolvimento rural do Ipea, Aguinaldo Maciente, na divulgação da pesquisa no início do mês. A pesquisa utiliza dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) - painel que cobre 97% dos trabalhadores formais no Brasil entre 1986 e 2017 e que tem por objetivo subsidiar políticas públicas do mercado de trabalho no país.

 

Robôs – VCNTSOLUTION

Imagem: vcntsolution


Relação de confiança
A tecnologia é vista como uma necessidade para a evolução e continuidade das empresas. Para o diretor executivo do Sicredi União PR/SP, a tecnologia agrega valor ao usuário. “No mercado financeiro, a tecnologia tem permitido que as instituições financeiras disponibilizem aos seus clientes acesso a produtos e serviços que até então eram limitadas a uma classe social. Para fazer transações as pessoas não precisam mais ir a uma agência, podem fazer tudo pelo smartphone.”

 

Mesmo com o uso de chatbots no atendimento ao associado e ao colaborador, a Sicredi pretende abrir 250 novas agências no Brasil, com abertura de 250 novas vagas na região de abrangência do Sicredi União PR/SP - Norte e Noroeste do Paraná e Piracicaba, em São Paulo -, diz Rogério Machado, diretor executivo da instituição financeira cooperativa. Isso quer dizer que a tecnologia não tira as pessoas do mercado de trabalho, mas as realoca para outros postos de trabalho. “Toda essa tecnologia não substitui as pessoas. O relacionamento interpessoal é necessário para que as relações de negócio se fortaleçam, pois essas relações são baseadas na confiança.” Para Machado, os robôs substituem as pessoas em processos padronizados, repetitivos, mas não as substitui em situações em que se exige inteligência cognitiva.

 

Nesse sentido, as empresas deverão valorizar nas pessoas a inteligência adaptativa, que é descrita pelo diretor do Sicredi União PR/SP como a capacidade de se adaptar a novos cenários e de olhar para as necessidades do cliente. “Hoje as pessoas que têm tendência de serem mais bem-sucedidas são aquelas que se adaptam aos diversos cenários que se apresentam. A pessoa tem que desenvolver um olhar para o que o mercado está demandando. Se o mercado não demanda mais a profissão do chofer, ela tem que buscar outra.”
 

Tecnologia aliada


A Exactus Software, de Londrina, cria sistemas que automatizam os processos de contabilidade, folha de pagamento de funcionários, escrita fiscal e controle patrimonial das empresas. Um de seus produtos usa Inteligência Artificial para buscar e armazenar informações capazes de gerar contabilidade, através do robô batizado de e-Eficatus. Para Mário Michelato, consultor comercial da empresa, os sistemas não substituem o trabalho do contador, apenas executam as tarefas consideradas operacionais. “A inteligência artificial é uma grande aliada na rotina dos escritórios de contabilidade e empresas, pois oferece agilidade, informações instantâneas e precisas, além de eliminar documentos em papel. Desta forma, o contador ganha tempo para se dedicar àquilo que é mais importante, ou seja, a evolução do patrimônio dos seus clientes.”

 

Para Michelato, a substituição de determinadas vagas de trabalho por máquinas sempre existiu e é uma evolução natural do mercado de trabalho. “Algumas funções se extinguem, mas outras nascem. O importante é estar atento às demandas, acompanhar essa evolução e se preparar adequadamente para permanecer indispensável ao mercado.” O caminho para isso é a busca contínua pelo aprendizado. Os cursos profissionalizantes, na sua opinião, são grandes aliados na preparação do profissional. “Mas, infelizmente, muitos ainda não compreenderam a urgência de se preparar para a nova era tecnológica, seja no campo profissional, mas também educacional, social e cultural.”
 

Formação constante para evitar 'obsolescência programada'


O desenvolvimento tecnológico acontece cada vez mais rápido, mas os seres humanos não mudam com a mesma velocidade. As pessoas não costumam acreditar em previsões, mas já na década de 1970 especialistas apontavam para esse cenário de automação e para a “obsolescência programada” de determinados postos de trabalho, observa Pollyana Notargiacomo, especialista em tecnologia e professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Como resultado, surgem contrassensos como o elevado número de pessoas trabalhando com transporte particular quando o transporte autônomo já é uma realidade. “Imagine quantas pessoas vão ficar sem emprego?”, questiona a professora.

 

“A questão é o aspecto educacional”, ela coloca. Para Notargiacomo, o sistema educacional não está olhando propriamente para o tipo de profissional que está formando para o mercado de trabalho. O sistema educacional teima em utilizar métodos da Idade Média em pleno século XXI, como colocar alunos enfileirados assistindo a aulas que têm horário para começar e para terminar, critica a professora, que realizou o mestrado na área educacional. “E quando chega no mercado de trabalho, o que as empresas querem? Profissionais que trabalhem em equipe, com autonomia, engajados em projetos.” Na visão de Notargiacomo, a educação não privilegia a criatividade, as capacidades individuais, as habilidades sociais e a liderança, por exemplo.

 

Os profissionais que querem estar preparados para o cenário de automação de postos de trabalho devem agir como “camaleões”, pontua a professora, investindo em uma formação que lhe dê possibilidades de migrar para outras áreas, se necessário. “Não pode estagnar, imaginar que só uma graduação vai lhe dar segurança profissional.” As escolas e universidades, por sua vez, precisam formar pessoas com essa visão, para que continuem estudando e não se tornem meros “reprodutores de tendências”.

 

Fonte: https://www.folhadelondrina.com.br/

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